Osteopatias

1 – Introdução – o osso é um tecido muito lábil e dinâmico, pois está constantemente cedendo elementos minerais sob a forma iônica para as demais partes do organismo e juntamente com o fígado se constitui no reservatório principal do organismo. Uma de suas tarefas fundamentais é fornecer de forma contínua, o cálcio, o fósforo e o magnésio, elementos imprescindíveis para a manutenção da homeostase mineral, assim como também, essenciais para o controle da permeabilidade das membranas celulares e excitabilidade neuromuscular, entre outras atividades.

Este mecanismo homeostático no indivíduo sadio depende fundamentalmente de um tecido ósseo íntegro resultante de um verdadeiro equilíbrio entre os processos de osteossíntese e osteólise. Quando ocorre um rompimento deste equilíbrio, aparecem doenças osteometabólicas. Aqui falar–se–á sobre as principais osteopatias.

2 – Doenças Ósseas:

Na prática clínica, quando aparecer suspeita de qualquer distúrbio ósseo, a determinação da ALP é logo relacionada, pois sua atividade no tecido ósseo é um reflexo fidedigno do metabolismo osteoblástico. Esta atividade da célula produtora do tecido ósseo depende além da ALP, do cálcio, da vitamina D, do hormônio do crescimento e do balanço protéico.

Conforme já estudado, na possibilidade de exclusão de lesões hepatobiliares, um aumento dos níveis da ALP em indivíduos adultos, relaciona–se com uma enfermidade óssea e, nesse caso, devem ser determinadas às quantidades de calcemia e fosforemia. Os níveis séricos da ALP estão aumentados nas seguintes condições:

2.1 – Neoplasmas Ósseos:

Em indivíduos com neoplasmas ósseos primários ou metastáticos, a essência da lesão estabelece o tipo de fosfatase que está elevado. Se o distúrbio for essencialmente osteoblástico, típico do sarcoma osteogênico, a ALP pode apresentar elevação; e quando a lesão for osteolítica, como no mieloma múltiplo, a ALP geralmente estará dentro dos limites de referência, ao passo que os níveis de ACP permanecem aumentados.

Assim, cânceres metastáticos que se originam de outros órgãos tais como, o pulmão, a tireóide, a mama ou os rins, podem aumentar os valores da ALP. Outros, como o linfoma e a histiocitose, envolvendo o tecido ósseo, devido a uma atividade osteoblástica secundária, promovem também aumentos da atividade sérica da ALP. Desse modo, por causa da osteólise e os mecanismos locais de reparação (osteossíntese), a atividade da ALP eleva–se nestes processos. Assim sendo, nestas situações, aproximadamente um terço dos indivíduos com carcinoma do pulmão, rins e tireóide, com metástases para o tecido ósseo, encontram–se com níveis sorológicos elevados para a ALP. Em carcinomas mamários, esta percentagem sobe para 50% e em adenocarcinomas prostáticos estes números atingem 70 a 80% conforme já visto. No sarcoma osteogênico (osteossarcoma), os valores da ALP permanecem elevados, diminuindo após a amputação e voltando a subir quando ocorrer metástases.

2.2 – Osteíte Deformante (“Doença de Paget”):

Nesta enfermidade, os níveis séricos da ALP encontram–se também aumentados e, nesse caso, existe uma correlação entre a extensão das lesões e os aumentos das taxas séricas. O raquitismo que acontece nesta doença apresenta os maiores valores para a atividade da fosfatase alcalina por unidade de osso afetado, do que em qualquer outro processo. A ACP encontra–se dentro dos limites de referência ou ligeiramente elevada.

2.3 – Raquitismo:

Neste caso, ocorre uma elevação da atividade sorológica da ALP, constituindo–se na primeira e mais confiável anormalidade bioquímica desta moléstia. Este aumento ocorre paralelamente à gravidade da lesão. A atividade sérica da ACP apresenta–se dentro dos limites referenciais.

2.4 – Osteomalácia:

Os níveis sorológicos da ALP encontram–se aumentados, porém, permanecendo com valores discretos durante a fase ativa da doença.

2.5 – Fraturas:

Nestas circunstâncias, as taxas de atividade da ALP exibem ligeiros aumentos. Em casos de hiperfosfatemia congênita, as atividades da ALP e ACP encontram–se aumentadas, devido à fragilidade óssea, ocasionando pequenas fraturas, com conseqüente aumento da renovação do tecido ósseo.

Maceió, Junho de 2.009.

Mário Jorge Martins.

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