Epidemiologia das Hepatites

1 – Introdução – a disseminação da hepatite A está relacionada com o nível socioeconômico da população, grau de saneamento básico, de educação sanitária e condições de higiene e da população. A doença é autolimitada e de caráter benigno, no entanto, cerca de 0,1% dos casos de hepatite A pode evoluir para hepatite fulminante, percentual que é maior acima dos 65 anos. Pacientes que já tiveram hepatite A adquirem imunidade para esta, mas permanecem susceptíveis às outras hepatites.

As hepatites B e C são enfermidades crônicas que afetam 500 a 650 milhões de pessoas em todo o mundo – 15 a 20 vezes mais que a AIDS – e deve-se dar a elas a mesma atenção e visibilidade que as outras enfermidades como a própria AIDS, a tuberculose e a malária, entre outras.

Estima-se que cerca de 360 milhões (5% da população mundial) de indivíduos no mundo sejam portadores crônicos do vírus da hepatite B (VHB), com 50 milhões de novas infecções anuais com 1 a 2 milhões de mortes  anuais somente pela hepatite B. Dos casos novos, 33 a 50% são sintomáticos e cerca de 18.000 a 30.000 novas infecções crônicas deverão ocorrer nessa população anualmente. Ocorre infecção crônica em 90% das crianças infectadas ao nascimento, em 25 a 50% das crianças infectadas entre 1 a 5 anos de idade, e entre 2 e 6% em pessoas infectadas na adolescência ou na faixa etária adulta.

Cerca de um terço dos casos se tornam crônicos e 10% desenvolvem cirrose ou câncer. Embora hepatite B e AIDS tenham as mesmas formas de transmissão (contato sexual, sangue contaminado), o VHB é aproximadamente 20 a 100 vezes mais contagioso que o vírus da AIDS.

Os vírus da Hepatite B têm uma alta prevalência e distribuição universal e possui características de permanecer no organismo por muitos anos, levando a cronicidade e evolução para enfermidades de alto risco, como cirrose e hepatocarcinoma, justificam as preocupações da comunidade científica e das autoridades sanitárias.

No Brasil, os números da doença só cresceram na última década, pois em 1.999, foram computados 473, contra 14.601 em 2.009. O número registrado em 2.009 é 8% maior do que o de 2.008 (13.389 casos). A redução no uso de preservativo é o principal motivo para explicar o crescimento no número de casos da doença, afirmou o Ministério da Saúde (MS). O vírus é transmitido por via sexual ou sanguínea.

Divulgada em 2.009, uma pesquisa do MS mostrou que o uso de camisinha em relações casuais passou de 51,5% da população sexualmente ativa, em 2.004, para 46,5%, em 2.008. Em algumas comunidades ribeirinhas da Amazônia, o índice de infecção das hepatites B e D chega a 40%. A média de infectados no Acre para essas duas hepatites, considerada a maior do mundo, é de 1,3%. Em 2.009, a maior taxa de incidência foi na região Norte. No Acre, foram registrados 111,8 casos por 100 mil habitantes; em Roraima, a taxa foi de 29,2, e em Rondônia, de 23,5.

Uma em cada dez manicures de São Paulo está infectada pelo vírus da hepatite B ou C, aponta levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU) realizado com 100 profissionais. Após análise do sangue, os resultados mostraram que dez das mulheres estavam com hepatite e oito delas com o vírus do tipo B e duas com o tipo C.

Atualmente, a hepatite C é considerada um dos grandes problemas de saúde pública no mundo, uma das principais causas de doença hepática crônica e uma das mais importante indicações de transplante hepático. A OMS estima que cerca de 170 milhões de pessoas estejam cronicamente infectadas no mundo e 3 a 4 milhões morrem por ano, sendo a cirrose descompensada, a falência hepática e o hepatocarcinoma as causas de óbito nos portadores crônicos

Muitos pesquisadores consideram a hepatite C como a “epidemia do século”, pois na verdade ela infecta cinco vezes mais pessoas que o HIV, o vírus da AIDS. Segundo eles, cerca de 3 a 4% da população mundial (200 a 300 milhões) está infectada no planeta, e esses indivíduos sejam portadores crônicos do vírus. Dados da OMS mostram que no Brasil entre 2,5 a 4,9% da população (4,75 a 9,31 milhões) está infectada pelo HCV e a maioria não sabe do diagnóstico.

A hepatite C, causada pelo vírus C (VHC) representa hoje uma das causas mais de doenças hepática crônica em todo o mundo. O VHC é o agente etiológico mais comum, responsável por hepatite crônica, cirrose e câncer de fígado em todo o mundo. Nos EUA, são estimados 3,9 milhões de indivíduos com a presença de anticorpos e 2,7 milhões com o vírus detectável no sangue. No Brasil, os números devem ser semelhantes e de cinco a dez vezes maiores que os da AIDS.

A distribuição das hepatites virais é universal, sendo que a magnitude dos diferentes tipos varia de região para região. No Brasil, há grande variação regional na prevalência de cada um dos agentes etiológicos; devem existir cerca de dois milhões de portadores crônicos de hepatite B e três milhões de portadores da hepatite C. A maioria das pessoas desconhece seu estado de portador e constitui elo importante na cadeia de transmissão do vírus da hepatite B (HBV) ou do vírus da hepatite C (HCV), que perpetua as duas infecções.

Nota – este texto é, na realidade, uma breve introdução, por isso queremos esclarecer aos interessados no assunto, que para obter o texto na íntegra (total), pode consultar a nossa loja virtual e solicitá-lo, que atenderemos todos os pedidos e enviaremos os mesmos pelos Correios e Telégrafos; portanto, entre em contato conosco através dos nossos telefones ou e-mails.

À  Direção.

Autor: Mário Jorge Martins.

Clínico Geral, Epidemiologista, Laboratorista, Administração, Assessoria, Consultoria, Treinamentos para todos os profissionais da área de saúde e Planejamento em Saúde.

Prof. Adjunto de Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL).

Mestre em Parasitologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Diretor do Setor de Epidemiologia da SUCAM, no período 1.987 a 1.990.

Coordenador do Programa de Controle de Febre Amarela e Dengue (PCFAD) no período de 1.987 a 1.990.

Criou e Coordenou o Programa da Esquistossomose de Maceió–AL, no período de  1.993 a 1.998; sendo considerado o melhor Programa da Esquistossomose do Mundo pela Organização Mundial de (OMS).

Médico da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).

 

LEAVE REPLY

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *