Epidemiologia das Febres Hemorrágicas

EPIDEMIOLOGIA DAS FEBRES HEMORRÁGICAS:

1 – Introdução – a expressão febres hemorrágicas engloba doenças causadas por microorganismos de etiologias diversas, entre os quais, os vírus transmitidos por artrópodes hematófagos ou roedores cronicamente infectados. Por possuir uma distribuição cosmopolita, sem dúvida, os arbovírus constituem uma causa importante de febre em áreas endêmicas do mundo, entretanto, a infecção é em sua grande maioria subclínica ou branda, porém em alguns indivíduos pré-dispostos ou debilitados podem desenvolver-se uma enfermidade hemorrágica grave. As febres hemorrágicas (FH) produzidas por vírus (arbovírus ou não) compreendem síndromes com grande variabilidade que vão desde doença febril hemorrágica com fragilidade capilar até casos de choque agudo grave que pode levar o paciente rapidamente à morte. Os principais agentes etiológicos são os vírus transmitidos por artrópodes e roedores, sendo que estes últimos não necessitam de um artrópode vetor e são transmitidos diretamente para os vertebrados através de aerossóis ou do contato com excrementos infectados ou secreções do roedor. Desconhece-se o reservatório dos vírus Marbug e Ebola, agentes etiológicos da febre hemorrágica africana. Cerca de pelos menos 15 agentes virais são capazes de produzir algum tipo febre hemorrágica humana (observe o quadro 01), estando catalogados nas famílias Flaviviridae, Bunyaviridae, Arenaviridae e Filoviridae, sendo que todos eles possuem RNA e produtores de zoonoses.

Quadro 01 – Arboviroses que Produzem Febres Hemorrágicas.

Vírus Doença DistribuiçãoGeográfica Vetor ReservatórioAnimal
Febre Amarela (alfavírus) Febre, hepatite África, AméricasCentral e do Sul Mosquito Macacos (vários Gêneros)
Dengue(4 sorotipos) Febre,erupções, cho-que hipovolê-mico Índia, Sudeste da Ásia, Pacífico, Caribe e América Do Sul Mosquito Nil (símios do tipo selvagem)
Chikungunya (alfavírus) Febre,exantema,
Hemorragias
África, Ásia Mosquito Macacos ou Babuínos
F. Hemorrágica de Omsk(flavivírus) Febre hemorrá-Gica Ásia Carrapato Roedores
D. da Floresta de Kyasanur(flavivírus) Febre hemorrá-gica  Índia Carrapato Símios, roedores,Aves
Rio Ross (alfavírus) Febre, artralgia, artrite Austrália Mosquito Pássaros
Febre do Vale do Rifti (bunyavírus) Febre (algumas  vezes hemorrágicas) África Mosquito Ovinos,Bovinos e camelos
Febre doFlebótomo(flebovírus) Febre (doença branda) Ásia, América do Sul e Mediterrâneo Mosquito, flebótomo Rato do mato
FebreHemorrágicaCongo-Crimeia (bunyavírus) Febre, hemor-ragia Ásia, África Carrapato Roedores
F. do Carrapato do Colorado (reovírus) Febre, mialgia EUA (MontanhasRochosas) Carrapato Roedores

Fonte: Mims e cols, l.995.

 

As febres hemorrágicas de origem viral compreendem síndromes febris graves de evolução aguda nas quais os fenômenos hemorrágicos constituem as manifestações mais evidentes. Entretanto, apresentam características diferentes no que diz respeito a sua etiologia, epidemiologia e patogênese. Apesar da similaridade de certas manifestações sistêmicas e hemorrágicas, observam-se peculiaridades clínicas que, seguramente, correm por conta das diferenças de tropismo dos agentes etiológicos pelos diferentes órgãos do hospedeiro. Assim, nas formas graves do dengue o quadro de choque é um componente clínico dominante, ao passo que na febre amarela é característica a presença de icterícia e de albuminúria nos casos graves, e na febre do vale do Rifti não raro se observam encefalite e danos à retina.

As febres hemorrágicas ocorrem em muitas partes do mundo. Algumas apresentam distribuição ampla, como é o caso da febre hemorrágica do dengue (FHD) que incide da Ásia, Américas e regiões do Pacífico, e de febre amarela que ocorre na América do Sul e na África. Outras, ao contrário, como a doença da floresta de Kyasanur e as febres hemorrágicas da Argentina, da Bolívia e da Venezuela, circunscritas a áreas relativamente pouco extensas. As febres hemorrágicas virais constituem importante de saúde pública, devido não só à elevada taxa de letalidade que determinam, como também pelo significativo número de pessoas afetadas anualmente. Assim, a magnitude do problema da FHD pode se avaliada ao se analisar a situação no Vietnã, onde no período de 1.956 a 1.990, notificaram-se 1.189.379 casos de FHD com 13.049 mortes. Apesar de seu aparecimento relativamente recente nas Américas, até 1.994 já se haviam notificado quase 30.000 casos de FHD cerca de 400 óbitos nessa região. No que se refere à febre amarela, estima-se que no período de 1.986 a 1.988 ocorreram na Nigéria 440.000 casos dos quais 250.000 foram fatais.

Nota – este texto é, na realidade, uma breve introdução, por isso queremos esclarecer aos interessados no assunto, que para obter o texto na íntegra (total), pode consultar a nossa loja virtual e solicitá-lo, que atenderemos todos os pedidos e enviaremos os mesmos pelos Correios e Telégrafos; portanto, entre em contato conosco através dos nossos telefones ou e-mails.

Autor: Mário Jorge Martins.

Clínico Geral, Epidemiologista, Laboratorista, Administração, Assessoria, Consultoria, Treinamentos para todos os profissionais da área de saúde e Planejamento em Saúde.

Prof. Adjunto de Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL).

Mestre em Parasitologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Diretor do Setor de Epidemiologia da SUCAM, no período 1.987 a 1.990.

Coordenador do Programa de Controle de Febre Amarela e Dengue (PCFAD) no período de 1.987 a 1.990.

Criou e Coordenou o Programa da Esquistossomose de Maceió–AL, no período de  1.993 a 1.998; sendo considerado o melhor Programa da Esquistossomose do Mundo pela Organização Mundial de (OMS).

Médico da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).

Coordenador da Secção de Epidemiologia da antiga SUCAM–AL, de 1.987–1.990.

Coordenador do Programa de Controle da Febre Amarela e Dengue (P.C.F.A/D.) da antiga  SUCAM–AL, de 1.987–1.990.

Médico da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).

 

 

 

 

 

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